1 de setembro de 2026
Analisando vídeos pra você pegar contexto pt 1
Este vai ser um modelo de posts que vou fazer conforme for analisando vídeos que fazem sentido pros meus estudos. Terá sempre a referência do vídeo e do autor mas será focado nas análises feitas do vídeo e do que foi tratado. Neste texto irei dissertar sobre o vídeo: The 7 phases of AI-driven development - Matt Pocock
🎬 The 7 phases of AI-driven development
Duração: 08:26
Canal: Matt Pocock
Assistido em: August 24, 2026
Ferramenta usada por ele no vídeo: Claude Code
As fases valem para qualquer abordagem: Ralph loops, GSD, Spec Kit
Visão geral
1. IDEIA ─── app inteiro, feature, bug fix ou refactor
2. PESQUISA ─── só se houver dependência externa / explore difícil
3. PROTÓTIPO ─── só se você precisa impor seu gosto
4. PRD ─── descreve o destino (end state)
5. KANBAN ─── PRD → tickets com relações de bloqueio
6. EXECUÇÃO ─┐
7. QA ─┘ loop 7 → 5 → 6 → 7 até o produto ficar bom
A tese central: a ideia vira um conjunto de tickets que um agente executa — seja vários agentes em paralelo, seja um agente sequencial percorrendo a lista. Tudo entre a fase 1 e a 5 existe para que esses tickets sejam bons o suficiente para rodar sem você olhando.
O loop: as três últimas fases (Kanban → Execução → QA) se repetem várias vezes. Cada rodada de QA gera novos tickets, que voltam para a execução.
Fase 1 — Ideia
Objetivo: definir o que provoca todo o processo.
Passo a passo
- Escreva a ideia. Pode ser um app inteiro, uma feature, um bug fix ou um refactor — refactors contam.
- Não se preocupe com o tamanho. O processo escala: aguenta ideias enormes e funciona também para coisas minúsculas e muito focadas.
- Tenha em mente o destino desde já: essa ideia vai virar um conjunto de tickets. Isso já orienta o nível de detalhe que você precisa nas próximas fases.
✅ Saída da fase: a ideia escrita, com noção de escopo (app / feature / bug / refactor).
Fase 2 — Pesquisa (condicional)
Objetivo: cachear o conhecimento que é caro de descobrir, para o agente não precisar redescobrir a cada context window.
Quando fazer
Faça se a ideia envolve fase de explore difícil — tipicamente:
- integração com Stripe ou outro serviço externo;
- integração com uma API pouco comum;
- qualquer fonte de informação difícil de acessar de dentro do repositório.
Passo a passo
- Rode uma fase de pesquisa explícita antes de qualquer código.
- Crie um asset com o resultado — ele sugere um
research.md. - Coloque esse asset dentro do repo (ou em algum lugar que o agente consiga acessar). O motivo é concreto: toda vez que o agente vai trabalhar, ele pode precisar explorar o repositório em uma context window nova. Se essa exploração for cara, você paga o custo de novo, toda vez.
- Trate a pesquisa como descartável. Ela vive só pelo tempo de vida daquela sprint/ideia.
⚠️ Por que descartar: pesquisa desatualiza e apodrece. Uma pesquisa velha faz o agente tomar o caminho errado justamente onde ela não era mais necessária. Delete quando a ideia terminar.
✅ Saída da fase: research.md versionado no repo, com validade limitada a esta ideia.
Fase 3 — Protótipo (condicional)
Objetivo: impor o seu gosto no resultado, com feedback concreto.
Quando fazer
Faça quando você ainda não sabe o que está construindo — ou até por que está construindo. O gatilho é precisar impor taste:
- UI que precisa parecer de um jeito específico ou se comportar de um jeito específico;
- arquitetura de software — não é só para design;
- testar um serviço externo na prática.
Passo a passo
- Peça ao LLM várias alternativas de uma vez, jogadas em uma rota descartável (
throwaway route). É o modelo te mostrando todos os jeitos que ele consegue pensar em construir aquilo. - Itere em uma ou duas sessões com human-in-the-loop, até conseguir dizer: "ok, essa aqui é a melhor".
- Commite o protótipo escolhido no code base. Esse é o passo que a maioria pula.
- Deixe o protótipo disponível para o agente na hora da implementação — ele passa a ser referência concreta, não descrição.
Por que fazer isso cedo: quando você chega no PRD, tudo já ficou abstrato demais. Você precisa de feedback concreto antes.
✅ Saída da fase: protótipo escolhido, commitado e acessível ao agente.
Fase 4 — PRD
Objetivo: descrever o destino — o end state.
Você já tem mais informação: entende as APIs externas (fase 2) e já viu código de verdade no protótipo (fase 3). Agora dá para descrever o fim com confiança.
Passo a passo
- Descreva o end state, não a implementação. Você não vai saber todas as decisões de implementação ainda — e tudo bem.
- Foque no que o usuário vê e em como aquilo se comporta. É esse o nível.
- Faça o agente te interrogar. Prompt o agente para te grelhar sem piedade, descendo por cada ramo da sua árvore de decisão. É aqui que o design é martelado até fechar.
- Não se prenda ao nome. "PRD" é product requirements document, mas na prática é só um documento que descreve o end state. Chame do que quiser.
💡 Matt usa uma skill
write a PRDdedicada a isso (linkada na descrição do vídeo dele).
✅ Saída da fase: documento do end state, com as ambiguidades já resolvidas na interrogação.
Fase 5 — Kanban board
Objetivo: transformar o PRD em um plano de implementação paralelizável.
Definição usada no vídeo: um Kanban board é só uma lista de tickets com relações de bloqueio entre eles. Nada além disso.
Passo a passo
- Quebre o PRD em issues separadas. Ele usa uma skill separada só para essa conversão (PRD → issues).
- Registre as relações de bloqueio. É isso que diferencia o Kanban de um plano sequencial.
- Escolha a ferramenta:
- ele usa GitHub Issues para o PRD e para o Kanban — é o que achou mais fácil;
- ⚠️ GitHub ainda não tem jeito nativo de representar bloqueio entre tickets;
- Linear tem — se o bloqueio importa para você, provavelmente é a melhor escolha.
- Alternativa mais simples: você pode gerar um plano sequencial único que vira código direto. Funciona — só perde a paralelização.
O ganho do Kanban: você olha o board, acha todos os tickets que não estão bloqueados, sobe um agente para cada um e deixa resolverem em paralelo.
✅ Saída da fase: board com tickets e bloqueios explícitos.
Fase 6 — Execução
Objetivo: rodar os tickets do board.
Passo a passo
- Rode um coding agent em loop executando os tickets do Kanban.
- Comece sequencial. Na maior parte das vezes você não precisa paralelizar — um agente trabalhando ticket a ticket resolve.
- Paralelize quando fizer sentido, usando os tickets não-bloqueados do board.
- No caso dele: um Ralph loop, que funciona muito bem com esse setup.
- Rode AFK. Com research + protótipo + PRD + Kanban dando suporte, dá para deixar o loop de execução rodando sozinho e o resultado sai bom. É exatamente para isso que as fases anteriores existem.
✅ Saída da fase: um asset completo, pronto para ser olhado por um humano.
Fase 7 — QA
Objetivo: validar o que foi produzido e realimentar o board.
Passo a passo
- Peça ao agente um QA plan — um plano para o humano executar o QA do trabalho concluído.
- Um humano executa o QA. Sim, humano. Ele bate nesta tecla explicitamente.
- Leia o código produzido durante a execução. Isso faz parte do QA.
- Pode não ser sempre necessário — ex.: se você usa uma arquitetura gray box (assunto de vídeos anteriores dele).
- Transforme os achados em novos tickets no Kanban board.
- Volte para a execução. Execução → QA → mais tickets → execução → QA…
- Repita até convergir para o produto que você quer.
✅ Saída da fase: board atualizado com os novos tickets, ou o produto aprovado.
⚙️ O loop na prática
┌───────────────────────────────────┐
↓ │
5. KANBAN → 6. EXECUÇÃO → 7. QA ───────┘
(gera novos tickets)
As três últimas fases se repetem várias vezes. Não espere acertar de primeira — a expectativa é iterar até o produto ficar bom.
✅ Um breve checklist de aplicação
Preparação
- Ideia escrita (app / feature / bug fix / refactor)
- Tem dependência externa ou explore difícil? → rodar pesquisa e salvar
research.mdno repo - Marcar a pesquisa como descartável ao fim da sprint
- Preciso impor meu gosto (UI, arquitetura, serviço externo)? → prototipar
- Várias alternativas jogadas em uma rota descartável
- Protótipo escolhido commitado e acessível ao agente
Especificação
- PRD escrito descrevendo o end state (o que o usuário vê e como se comporta)
- Agente me grelhou em cada ramo da árvore de decisão
- PRD quebrado em issues
- Relações de bloqueio registradas (Linear, ou contornar a limitação do GitHub)
Loop
- Agente executando os tickets em loop (sequencial por padrão)
- Paralelizar só os tickets não-bloqueados, se valer a pena
- QA plan gerado pelo agente
- QA executado por um humano
- Código lido por um humano (salvo arquitetura gray box)
- Achados viraram tickets novos → voltar para execução
🕳️ Lacuna assumida pelo autor
Não há code review explícito nas 7 fases. Ele reconhece isso no fim do vídeo:
"Eu suponho que poderia fazer isso como parte do fluxo de execução. Suponho que talvez entre no QA — mas é definitivamente um passo essencial para produzir bom código."
Ele também diz esperar que a lista cresça para 8 ou 9 fases conforme for aprendendo. Trate as 7 fases como um esqueleto vivo, não como dogma.